Dores Musculares na Pré-Época
Ainda hoje se fala do pobre do ácido láctico como se ele fosse responsável pelas habituais dores musculares, principalmente aquelas que a maioria dos atletas se queixa na pré-época.
É fácil atirar com isso para cima da mesa e esperar as 72 horas sagradas, permanecendo-se no erro de análise... e muitas vezes deixando que o tempo faça, só ele, aquilo a que os treinadores poderiam dar uma ajuda elucidando e aconselhando os seus atletas.
Efectivamente o ácido láctico é responsável pela situação de dor no imediato, durante e logo após o exercício físico, mas é eliminado do organismo duas ou três horas após o esforço efectuado; o prolongamento dos sintomas pelos dias seguintes deve-se a microlesões celulares que desenvolvem processos inflamatórios nos tecidos musculares, cerca de 24 horas após a actividade física intensa.
Quanto mais exercício físico intenso, maior a necessidade dos músculos em actividade de serem bombeados com oxigénio, sendo por isso o fluxo sanguíneo desviado dos órgão não envolvidos na actividade, sofrendo um período de privação (isquemia); quando termina o exercício físico, o fluxo sanguíneo retorna aos órgãos que estiveram em carência (reperfusão), processo que provoca a libertação de grandes quantidades de radicais livres.
Uma parte do oxigénio que respiramos transforma-se em radicais livres, que são moléculas instáveis, cujos átomos possuem um electrão desemparelhado na última camada. Para atingirem a estabilidade, essas moléculas precisam doar esses electrões (actividade redutora) ou adquirir os electrões em falta (actividade oxidante) noutra substância.
Esses radicais livres, quando produzidos em quantidades moderadas, actuam no combate a bactérias e vírus presentes no nosso organismo. Quando são produzidos em excesso, danificam as células saudáveis, que oxidam, aumentando o risco de se desenvolverem doenças crónicas, tais como aterosclerose, hipertensão, diabetes, cataratas, cancro, doenças cardiovasculares, artrite, doenças psicossomáticas, envelhecimento precoce.
A actividade oxidante provoca lesões químicas que podem ser combatidas através da ingestão de vitaminas e minerais em doses adequadas, de forma a proteger os músculos dos traumatismos causados pelo exercício intenso, neutralizando o efeito nocivo dos radicais livres com antioxidantes.
O nosso metabolismo produz antioxidantes, como algumas enzimas e glutationa, que neutralizam os radicais livres, mas a maior parte dos antioxidantes necessários obtém-se através da alimentação, com alimentos ricos em vitamina A, C, E, licopeno, caroteno, selénio, cobre e zinco.
No caso de esforço físico intenso, para prevenir as dores, torna-se necessário a administração de compostos que supram as carências de antioxidantes que o organismo não produz e que a ingestão de alimentos não consegue superar.
A partir daqui será mais fácil combater e anular o dói-dói dos inícios de época.

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