Apetece-me dizer: "Ignorânticos e Analfabéticos"
Quantos de nós depois de terminado os nossos cursos de Treinador não mais procurámos a aprendizagem, sentados na ideia que ‘tirei o curso, já sei as coisas necessárias’
Quantos de nós, eu e tu, e eles, sentimos a necessidade de Aprender ?
- Há quanto tempo não compro um livro específico e o leio e estudo ?
- Há quanto tempo não compro um livro qualquer ?
- Há quanto tempo não utilizo a Net para pesquisar sobre a Filosofia Cientifica do Treino ou sobre qualquer outro tema ?
Muitas vezes recordo os meus cursos. Foram extremamente importantes na aprendizagem que me proporcionaram e no despertar em mim o desejo de aprender.
Mas também recordo que na entrada para as aulas, os primeiros iam sempre para as filas lá de trás onde é mais fácil abanar a cabeça de cansaço, que o trabalho é duro e pesa no corpo às tantas da noite, muitas vezes ainda sem ter jantado.
Recordo com alguma saudade que nos dias de exame escrito a malta aflita tentava decorar aquelas definições básicas que poderão sair nos Testes e em dia de Exame Prático levávamos todos 2 ou 3 exercícios muito bem decoradinhos para qualquer prova que tivéssemos de fazer.
Tinhamos tanta incerteza daquilo que sabíamos: ‘Respondeste o quê àquela pergunta ? Eu respondi…(…)’ e lá ficávamos com a duvida angustiante se teríamos respondido de forma acertada ou incorrecta à tal pergunta fundamental.
Hoje com o Sistema de Ensino baseado em quiméricas estatísticas fraudulentas entra-se no Ensino Superior não sabendo ler nem escrever Português, o que terá consequências trágicas no futuro. Na realidade, se temos um vocabulário limitado dificilmente compreenderemos as coisas que estudarmos, dificilmente conseguiremos articular mais que definições decoradas apressadamente.
Dificilmente teremos algum tipo de Conhecimento.
Por tudo isto podem aparecer Ronaldos , Carlos Lopes ou Mourinhos e o Desporto em Portugal não passa duma folha em branco.
Por tudo isto o país estruturalmente não passa de uma folha em branco.
DINÂMICA E SISTEMAS
Normalmente quando se fala entre treinadores acerca do modelo de jogo, cada um defende aquilo em que acredita assentando a sua dialéctica na ‘dinâmica de jogo’.
Quando o árbitro apita e os jogadores iniciam as suas acções, está criada a dinâmica em si mesma.
Das relações que se estabelecem nos relacionamentos na quadra, as dinâmicas de jogo vão acontecendo com maior ou menos fluidez, conforme a qualidade das equipas em oposição.
Poderemos considerar como Sistema a colectivização dos movimentos individuais em que assenta a tentativa de engano à equipa adversária.
Em qualquer Sistema de Jogo os desenhos são sucessivos e variáveis, conforme a dinâmica contrária, em oposição à nossa própria seja qual for a Fase de Jogo que se observe.
Daí que considere como Sistema de Jogo a dinâmica sobre a qual assenta a filosofia das nossas acções e não apenas o desenho caricaturado nos compêndios dos cursos como formas estáticas de compreender a base sistemática de onde partem as acções do Jogo.

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